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Quadros

Heitor dos Prazeres (1898-1966). Samba. Óleo sobre tela. Assinado cid, e datado 3-2-65. 35 x 27 cm. Heitor dos Prazeres (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1898 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1966). Compositor e pintor. Filho de um marceneiro e clarinetista da banda da Guarda Nacional e de uma costureira, fica órfão de pai aos 7 anos. Sobrinho do pioneiro dos ranchos cariocas, Hilário Jovino Ferreira, ganha do tio seu primeiro cavaquinho. Aos 12 anos, trabalha como engraxate, jornaleiro e lustrador, vive constantemente em companhia do tio Hilário e frequenta a casa das tias baianas (Tia Ciata e Tia Esther), onde tem contato com músicos como Donga (1890-1974), João da Baiana (1887-1974), Sinhô (1888-1930), Caninha, Getúlio Marinho "Amor", Pixinguinha (1897-1973), Paulo da Portela (1901-1949) entre outros. Apesar dos trabalhos informais, o jovem Heitor é preso aos 13, por vadiagem, e passa algumas semanas na colônia correcional de Ilha Grande. Aos 20, é conhecido como Mano Heitor do Cavaco e depois Mano Heitor do Estácio, sendo "Mano" uma denominação comum entre os sambistas. Quanto ao "Estácio", é uma referência aos companheiros que conhece no local: Ismael Silva (1905-1978), Bide (Alcebíades Barcelos), Nilton Bastos e Marçal. Com boa circulação entre os sambistas, firma relações com compositores da Mangueira, principalmente Cartola (1908-1980), e de Oswaldo Cruz, principalmente Paulo da Portela. Por meio dessas relações, Heitor dos Prazeres compõe sambas em parceria e participa do início dos trabalhos e da fundação de escolas de samba, que se tornam importantes referências: Mangueira, Portela e Deixar Falar (futura Estácio de Sá). Em 1927 vence, com A Tristeza Me Persegue, um concurso de samba organizado por José Espinguela. No mesmo ano envolve-se em polêmica com o compositor Sinhô, acusando-o de ter "roubado" partes de seus sambas Ora Vejam Só (1927) e Gosto que Me Enrosco (gravada como Cassino Maxixe, em 1927, por Francisco Alves (1898-1952)). Consegue indenização e reconhecimento público da parceria. Os sambas Vai Mesmo e Deixaste Meu Lar, parceria com Francisco Alves, são gravados por Mário Reis (1907-1981), em 1929. Ainda em 1929, Alves registra És Feliz, e, em 1931, Riso Fingido. Entre gravações e polêmicas, Prazeres inicia um catálogo que reúne cerca de 300 composições. Cria, em 1930, um coro feminino como acompanhamento, Heitor dos Prazeres e Sua Gente, com o qual excursiona e se apresenta no Uruguai. Atua nas Rádios Cosmos e Cruzeiro do Sul, em que apresenta o programa A Voz do Morro, com Cartola e Paulo da Portela. Orestes Barbosa (1893-1966) grava seu samba Nega, Meu Bem, em 1931. Prazeres forma o Grupo Carioca e torna-se ritmista da Rádio Nacional e do Cassino da Urca. Entre suas principais composições estão Cantar para Não Chorar, com Paulo Portela, lançada por Carlos Galhardo em 1938, regravada pelo Quinteto em Branco e Preto, em 2000, e Paulinho da Viola (1942), em 2006; Carioca Boêmio, sucesso com Orlando Silva, em 1945; Consideração, parceria com Cartola, gravada por Arranco de Varsóvia, em 1997, e por Beth Carvalho, em 2003; Lá em Mangueira, com Herivelto Martins, lançada pelo Trio de Ouro, em 1943, gravada por Elizeth Cardoso, em 1967, Clementina de Jesus, em 1968, e Zeca Pagodinho e Raphael Rabello, em 1991; A Tristeza Me Persegue, com João da Gente, gravado pela Velha Guarda da Portela em 1970, e Zeca Pagodinho, em 1998. Em 1957, com o grupo Heitor dos Prazeres e Sua Gente, grava uma canção contra o rock'n'roll Nada de Rock, regravada por Pedro Miranda em 2006. Por volta de 1937 passa a dedicar-se também à pintura, tendo alcançado em 1951 o terceiro lugar para artistas nacionais na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, com o quadro Moenda. Ganha uma sala especial na 2ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1953. Cria ainda cenários e figurinos para o Balé do IV Centenário da Cidade de São Paulo, e, em 1965, Antônio Carlos Fontoura produz um documentário sobre sua obra. Em 1999, é realizada mostra retrospectiva no Espaço BNDES e no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), em comemoração do centenário de seu nascimento. A vida de Heitor dos Prazeres transcorre em época de grandes definições para a cultura brasileira em geral. Em um extremo a abolição da escravatura, em 1888, é um marco de liberdade potencial, e no outro a ascensão da ditadura militar de 1964 é um duro golpe para a liberdade prometida. Entre esses extremos o Brasil passa por momentos decisivos, construindo o imaginário de país livre, que busca afirmar sua identidade como povo moderno e criar as formas culturais que nascem desse novo imaginário. A primeira metade do século XX, importante para a nação, é também agitada no cenário internacional, que assiste às duas guerras mundiais. Liberados dos laços escravistas, muitos negros da Bahia, ex-escravos ou forros, seguem rumo ao Rio de Janeiro, gerando uma pequena "diáspora baiana". Se em 1890 a capital tem pouco mais de 500 mil habitantes, em 1920 tem 1 milhão. Heitor dos Prazeres, carioca descendente de negros baianos, cria a denominação África em Miniatura, referindo-se à região da Praça 11 e às festas na casa das tias baianas (Tia Ciata e Tia Esther). Se o novo estado republicano trabalha em uma série de reformas com moldes franceses voltados para atender a elite, a pequena África passa a gerar as próprias formas de convívio. O Carnaval e o samba surgem como criações fortes dos grupos sociais que habitam as favelas e os subúrbios. É nesse momento que se definem as linhas principais daquilo que o mundo conheceria como sendo o samba tipicamente brasileiro. Firmam-se as rítmicas básicas, os timbres e instrumentos típicos e os modos de tocá-los. As primeiras escolas se fortalecem, e uma "identidade" do samba passa a ser partilhada. Surgem as oportunidades de ganhar algum dinheiro com essa música, de gravar discos e experimentar o reconhecimento social. Todas essas linhas de força estão atuantes nos períodos decisivos de formação do samba, e Heitor dos Prazeres as vive de forma ativa. É nesse momento que a música propriamente brasileira se torna mercadoria, passa a ser vendida e a gerar renda para o compositor. Essa nova perspectiva causa certas confusões: a turma do Estácio discute com a turma da "velha guarda" como seria o verdadeiro samba, malandros se apropriam de sambas tradicionais e aspirantes a compositor compram parcerias ou às vezes o samba inteiro de compositores do morro. Nesse ambiente se dá a polêmica de Heitor dos Prazeres com Sinhô. Ao questionar Sinhô sobre o fato de ter roubado dois estribilhos seus, Heitor recebe como resposta que o acusado não sabia que os sambas eram de sua autoria, achava que eram temas populares "sem dono". Sinhô já havia se envolvido em outra questão com o samba Pelo Telefone, que teria sido composto coletivamente nas reuniões na casa de Tia Ciata. É atribuída a Sinhô a máximo samba é que nem passarinho, é de quem pegar". Inicia-se uma polêmica, e Heitor dos Prazeres, visando Sinhô, compõe Olha Ele, Cuidado, de 1929, gravado por Alfredo Albuquerque, e respondido com Segura o Boi, por Francisco Alves, também em 1929. Sinhô havia construído para si mesmo a alcunha de "Rei do Samba", como uma espécie de marketing, e Heitor compõe então Rei dos Meus Sambas, gravado por Inácio G. Loiola, em 1929. Entretanto, o próprio Heitor é acusado de apropriar-se indevidamente de diversos sambas, entre eles alguns de Paulo da Portela e Vai Mesmo, de Antonio Rufino. Por esses e outros roubos, o dirigente Mané Bam-Bam-Bam impede Heitor de desfilar na Portela no Carnaval de 1941, gerando uma ruptura na escola. Heitor dos Prazeres compõe choros (Comigo Ninguém Pode e A Coisa Melhorou), canções (Canção do Jornaleiro, lançada pelo menino Jonas Tinoco e regravada por Wanderley Cardoso, em 1959), rancheiras (Cousa Gozada), macumbas (Yêmanjá Ofeiaba, Vamos Brincar no Terreiro), baiões (Êta, Seu Mano), marchas (Africana, com J. Cascata, e Pierrô Apaixonado, parceria com Noel Rosa (1910-1937), gravada por Joel e Gaúcho, em 1936, Maria Bethânia, em 1965, Martinho da Vila, em 1979, e Ivan Lins, em 1997) e até ritmos latinos (Bate no Bongô), mas é o samba seu gênero mais producente e para o qual trouxe mais contribuições. Em seu primeiro grande êxito, Mulher de Malandro, lançado por Francisco Alves, em 1931, com acompanhamento da Orquestra Copacabana, lida com a forma do samba de breque, ainda em gestação. Os breques são curtos, mas a ideia do estilo assumido por Moreira da Silva alguns anos depois já está constituída. O samba de breque, surgido das possibilidades musicais do samba-choro, tem ainda ligação íntima com o samba sincopado, estilo no qual o compositor trabalha o deslocamento sutil entre a melodia e o acompanhamento. Já presente de certa forma entre os chorões e em alguns estilos da música africana, os sambistas sincopados procuram trabalhar esse deslocamento de modo contínuo, gerando uma sincopação consistente. Nesse sentido, é interessante ouvir a composição É Tempo, de Heitor dos Prazeres, com interpretação de Luís Barbosa, lançada em 1933. Esse intérprete - conhecido por suas peripécias rítmicas - é considerado um dos grandes nomes do samba sincopado, e encontra no samba de Heitor do Prazeres uma composição em que o deslocamento rítmico entre melodia e acompanhamento é bastante acentuado, gerando a sincopa consistente que vai caracterizar seu estilo e o de toda uma tradição que se segue, de Geraldo Pereira a João Gilberto (1931).

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Heitor dos Prazeres (1898-1966). Samba. Óleo sobre tela. Assinado cid, e datado 3-2-65. 35 x 27 cm. Heitor dos Prazeres (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1898 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1966). Compositor e pintor. Filho de um marceneiro e clarinetista da banda da Guarda Nacional e de uma costureira, fica órfão de pai aos 7 anos. Sobrinho do pioneiro dos ranchos cariocas, Hilário Jovino Ferreira, ganha do tio seu primeiro cavaquinho. Aos 12 anos, trabalha como engraxate, jornaleiro e lustrador, vive constantemente em companhia do tio Hilário e frequenta a casa das tias baianas (Tia Ciata e Tia Esther), onde tem contato com músicos como Donga (1890-1974), João da Baiana (1887-1974), Sinhô (1888-1930), Caninha, Getúlio Marinho "Amor", Pixinguinha (1897-1973), Paulo da Portela (1901-1949) entre outros. Apesar dos trabalhos informais, o jovem Heitor é preso aos 13, por vadiagem, e passa algumas semanas na colônia correcional de Ilha Grande. Aos 20, é conhecido como Mano Heitor do Cavaco e depois Mano Heitor do Estácio, sendo "Mano" uma denominação comum entre os sambistas. Quanto ao "Estácio", é uma referência aos companheiros que conhece no local: Ismael Silva (1905-1978), Bide (Alcebíades Barcelos), Nilton Bastos e Marçal. Com boa circulação entre os sambistas, firma relações com compositores da Mangueira, principalmente Cartola (1908-1980), e de Oswaldo Cruz, principalmente Paulo da Portela. Por meio dessas relações, Heitor dos Prazeres compõe sambas em parceria e participa do início dos trabalhos e da fundação de escolas de samba, que se tornam importantes referências: Mangueira, Portela e Deixar Falar (futura Estácio de Sá). Em 1927 vence, com A Tristeza Me Persegue, um concurso de samba organizado por José Espinguela. No mesmo ano envolve-se em polêmica com o compositor Sinhô, acusando-o de ter "roubado" partes de seus sambas Ora Vejam Só (1927) e Gosto que Me Enrosco (gravada como Cassino Maxixe, em 1927, por Francisco Alves (1898-1952)). Consegue indenização e reconhecimento público da parceria. Os sambas Vai Mesmo e Deixaste Meu Lar, parceria com Francisco Alves, são gravados por Mário Reis (1907-1981), em 1929. Ainda em 1929, Alves registra És Feliz, e, em 1931, Riso Fingido. Entre gravações e polêmicas, Prazeres inicia um catálogo que reúne cerca de 300 composições. Cria, em 1930, um coro feminino como acompanhamento, Heitor dos Prazeres e Sua Gente, com o qual excursiona e se apresenta no Uruguai. Atua nas Rádios Cosmos e Cruzeiro do Sul, em que apresenta o programa A Voz do Morro, com Cartola e Paulo da Portela. Orestes Barbosa (1893-1966) grava seu samba Nega, Meu Bem, em 1931. Prazeres forma o Grupo Carioca e torna-se ritmista da Rádio Nacional e do Cassino da Urca. Entre suas principais composições estão Cantar para Não Chorar, com Paulo Portela, lançada por Carlos Galhardo em 1938, regravada pelo Quinteto em Branco e Preto, em 2000, e Paulinho da Viola (1942), em 2006; Carioca Boêmio, sucesso com Orlando Silva, em 1945; Consideração, parceria com Cartola, gravada por Arranco de Varsóvia, em 1997, e por Beth Carvalho, em 2003; Lá em Mangueira, com Herivelto Martins, lançada pelo Trio de Ouro, em 1943, gravada por Elizeth Cardoso, em 1967, Clementina de Jesus, em 1968, e Zeca Pagodinho e Raphael Rabello, em 1991; A Tristeza Me Persegue, com João da Gente, gravado pela Velha Guarda da Portela em 1970, e Zeca Pagodinho, em 1998. Em 1957, com o grupo Heitor dos Prazeres e Sua Gente, grava uma canção contra o rock'n'roll Nada de Rock, regravada por Pedro Miranda em 2006. Por volta de 1937 passa a dedicar-se também à pintura, tendo alcançado em 1951 o terceiro lugar para artistas nacionais na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, com o quadro Moenda. Ganha uma sala especial na 2ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1953. Cria ainda cenários e figurinos para o Balé do IV Centenário da Cidade de São Paulo, e, em 1965, Antônio Carlos Fontoura produz um documentário sobre sua obra. Em 1999, é realizada mostra retrospectiva no Espaço BNDES e no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), em comemoração do centenário de seu nascimento. A vida de Heitor dos Prazeres transcorre em época de grandes definições para a cultura brasileira em geral. Em um extremo a abolição da escravatura, em 1888, é um marco de liberdade potencial, e no outro a ascensão da ditadura militar de 1964 é um duro golpe para a liberdade prometida. Entre esses extremos o Brasil passa por momentos decisivos, construindo o imaginário de país livre, que busca afirmar sua identidade como povo moderno e criar as formas culturais que nascem desse novo imaginário. A primeira metade do século XX, importante para a nação, é também agitada no cenário internacional, que assiste às duas guerras mundiais. Liberados dos laços escravistas, muitos negros da Bahia, ex-escravos ou forros, seguem rumo ao Rio de Janeiro, gerando uma pequena "diáspora baiana". Se em 1890 a capital tem pouco mais de 500 mil habitantes, em 1920 tem 1 milhão. Heitor dos Prazeres, carioca descendente de negros baianos, cria a denominação África em Miniatura, referindo-se à região da Praça 11 e às festas na casa das tias baianas (Tia Ciata e Tia Esther). Se o novo estado republicano trabalha em uma série de reformas com moldes franceses voltados para atender a elite, a pequena África passa a gerar as próprias formas de convívio. O Carnaval e o samba surgem como criações fortes dos grupos sociais que habitam as favelas e os subúrbios. É nesse momento que se definem as linhas principais daquilo que o mundo conheceria como sendo o samba tipicamente brasileiro. Firmam-se as rítmicas básicas, os timbres e instrumentos típicos e os modos de tocá-los. As primeiras escolas se fortalecem, e uma "identidade" do samba passa a ser partilhada. Surgem as oportunidades de ganhar algum dinheiro com essa música, de gravar discos e experimentar o reconhecimento social. Todas essas linhas de força estão atuantes nos períodos decisivos de formação do samba, e Heitor dos Prazeres as vive de forma ativa. É nesse momento que a música propriamente brasileira se torna mercadoria, passa a ser vendida e a gerar renda para o compositor. Essa nova perspectiva causa certas confusões: a turma do Estácio discute com a turma da "velha guarda" como seria o verdadeiro samba, malandros se apropriam de sambas tradicionais e aspirantes a compositor compram parcerias ou às vezes o samba inteiro de compositores do morro. Nesse ambiente se dá a polêmica de Heitor dos Prazeres com Sinhô. Ao questionar Sinhô sobre o fato de ter roubado dois estribilhos seus, Heitor recebe como resposta que o acusado não sabia que os sambas eram de sua autoria, achava que eram temas populares "sem dono". Sinhô já havia se envolvido em outra questão com o samba Pelo Telefone, que teria sido composto coletivamente nas reuniões na casa de Tia Ciata. É atribuída a Sinhô a máximo samba é que nem passarinho, é de quem pegar". Inicia-se uma polêmica, e Heitor dos Prazeres, visando Sinhô, compõe Olha Ele, Cuidado, de 1929, gravado por Alfredo Albuquerque, e respondido com Segura o Boi, por Francisco Alves, também em 1929. Sinhô havia construído para si mesmo a alcunha de "Rei do Samba", como uma espécie de marketing, e Heitor compõe então Rei dos Meus Sambas, gravado por Inácio G. Loiola, em 1929. Entretanto, o próprio Heitor é acusado de apropriar-se indevidamente de diversos sambas, entre eles alguns de Paulo da Portela e Vai Mesmo, de Antonio Rufino. Por esses e outros roubos, o dirigente Mané Bam-Bam-Bam impede Heitor de desfilar na Portela no Carnaval de 1941, gerando uma ruptura na escola. Heitor dos Prazeres compõe choros (Comigo Ninguém Pode e A Coisa Melhorou), canções (Canção do Jornaleiro, lançada pelo menino Jonas Tinoco e regravada por Wanderley Cardoso, em 1959), rancheiras (Cousa Gozada), macumbas (Yêmanjá Ofeiaba, Vamos Brincar no Terreiro), baiões (Êta, Seu Mano), marchas (Africana, com J. Cascata, e Pierrô Apaixonado, parceria com Noel Rosa (1910-1937), gravada por Joel e Gaúcho, em 1936, Maria Bethânia, em 1965, Martinho da Vila, em 1979, e Ivan Lins, em 1997) e até ritmos latinos (Bate no Bongô), mas é o samba seu gênero mais producente e para o qual trouxe mais contribuições. Em seu primeiro grande êxito, Mulher de Malandro, lançado por Francisco Alves, em 1931, com acompanhamento da Orquestra Copacabana, lida com a forma do samba de breque, ainda em gestação. Os breques são curtos, mas a ideia do estilo assumido por Moreira da Silva alguns anos depois já está constituída. O samba de breque, surgido das possibilidades musicais do samba-choro, tem ainda ligação íntima com o samba sincopado, estilo no qual o compositor trabalha o deslocamento sutil entre a melodia e o acompanhamento. Já presente de certa forma entre os chorões e em alguns estilos da música africana, os sambistas sincopados procuram trabalhar esse deslocamento de modo contínuo, gerando uma sincopação consistente. Nesse sentido, é interessante ouvir a composição É Tempo, de Heitor dos Prazeres, com interpretação de Luís Barbosa, lançada em 1933. Esse intérprete - conhecido por suas peripécias rítmicas - é considerado um dos grandes nomes do samba sincopado, e encontra no samba de Heitor do Prazeres uma composição em que o deslocamento rítmico entre melodia e acompanhamento é bastante acentuado, gerando a sincopa consistente que vai caracterizar seu estilo e o de toda uma tradição que se segue, de Geraldo Pereira a João Gilberto (1931).

Informações

Lance

Termos e Condições
Condições de Pagamento
Frete e Envio
  • TERMOS E CONDIÇÕES

    EMPRESA ORGANIZADORA:

    Galeria Ricardo Von Brusky

    LEILÃO - O leilão será realizado pela Leiloeira oficial Sra. Lia Camargo Von Brusky da Fonseca - JUCESP no 925, nos dia 17 de Agosto a partir das 20:30, na Rua Estados Unidos, 336 Jardim América, São Paulo, SP, CEP: 01427-000. As condições de venda e pagamento obedecem ao que dispõe o Decreto Federal no 21.981, de 19 de outubro de 1.932, com as alterações introduzidas pelo Decreto no 22.427, de 1o de fevereiro de 1933, que regula a profissão de Leiloeiro Oficial, as quais deverão ser respeitadas por todos os participantes deste leilão.

    CONDIÇÕES PARA PARTICIPAR DO LEILÃO- Para participar do leilão o interessado deverá ser capacitado para contratar, e aguardar a liberação da galeria Ricardo Von Brusky nos termos da legislação em vigor. Menores de 18 (dezoito) anos não serão admitidos a participar do leilão.

    BENS- Os bens a serem leiloados estarão em exposição na Galeria Ricardo Von Brusky de 10/08 a 15/08 de 2020 das 11:00h às 18:00h. Os bens serão vendidos nas condições em que se encontram, cabendo aos interessados minuciosos exame in loco dos mesmos. Os bens serão vendidos a quem oferecer o maior lance e poderão ser retirados do leilão sempre que o leiloeiro julgar necessário. As fotos divulgadas no site e no catálogo da Galeria Ricardo Von Brusky são meramente ilustrativas, não servindo de parâmetro para demonstrar o estado dos bens ou influenciar a decisão de oferta de lances para arrematação dos mesmos.

    COMISSÃO DO LEILOEIRO - Os arrematantes deverão pagar à Leiloeira Lia Camargo Von Brusky da Fonseca, comissão de 5% (cinco por cento) sobre o valor da arrematação que não está inclusa no valor do lance.

    LANCES- Os lances poderão ser ofertados presencialmente, por telefone 11 2373 0768 e online, entretanto a Galeria Ricardo Von Brusky e a Leiloeira Lia Camargo Von Brusky não se responsabilizam por problemas técnicos de internet e afins. O interessado poderá oferecer mais de um lance para o mesmo bem, prevalecendo sempre o maior lance ofertado. Os lances oferecidos são IRREVOGÁVEIS e IRRETRATÁVEIS, não podendo ser anulados e/ou cancelados em nenhuma hipótese. O interessado é responsável por todas as ofertas registradas em seu nome.

    PAGAMENTO- O valor do bem arrematado e a comissão da Leiloeira deverão ser pagos no prazo de até 03 (três) dias úteis a contar do encerramento do leilão, através de TED Transferência Eletrônica Disponível; DOC Documento de Ordem de Crédito ou depósito bancário, conforme instruções da Galeria Ricardo Von Brusky.

    RETIRADA- Após 01 (um) dia útil a contar da data da efetivação do pagamento (crédito/compensação de remessa em conta corrente) do valor do lance e da comissão da Leiloeira, os bens poderão ser retirado pelos arrematantes no endereço da Galeria Ricardo Von Brusky de segunda à sexta-feira, das 11:00 às 18:00. A retirada dos lotes arrematados será de total responsabilidade do comprador incluindo, transporte e embalagem. Para a retirada dos bens por procurador, deverá ser entregue o Instrumento de Procuração com firma reconhecida. Após 30 diasserá cobrado uma taxa mensal de guarda-móveis. A Leiloeira não tem qualquer responsabilidade pela entrega dos bens aos arrematantes.

    INADIMPLÊNCIA- Caso o arrematante não pague o preço do bem arrematado e a comissão da Leiloeira oficial no prazo acima estipulado (03 dias úteis), a arrematação ficará cancelada, devendo o arrematante pagar o valor correspondente a 25% (vinte e cinco por cento) do lance ofertado, sendo 5% (cinco por cento) a título de comissão da leiloeira oficial e 20% (vinte por cento) destinado ao proprietário dos bens e ao pagamento de eventuais despesas incorridas pela leiloeira e pela Galeria Ricardo Von Brusky. A leiloeira poderá emitir título de crédito para a cobrança de tais valores, encaminhando-o a protesto por falta de pagamento, sem prejuízo da execução prevista no artigo 39, do Decreto no 21.981/32. A leiloeira oficial poderá, nesta hipótese, soli- citar a inclusão dos dados cadastrais do arrematante junto aos órgãos de proteção ao crédito.O inadimplente não será admitido a participar de qualquer outro leilão divulgado no site da Galeria Ricardo Von Brusky, por ter seu cadastro bloqueado. Caso sejam identificados cadastros vinculados ao mesmo serão igualmente bloqueados.

    REGISTRO- Uma vez aceitas os presentes Condições de Venda e Pagamento do Leilão, o arrematante autoriza o respectivo registro perante Cartório de Registro de Títulos e Documentos, para que produza todos os efeitos legais, correndo por conta da leiloeira os custos envolvidos.
    A autenticidade das peças que constam neste catálogo é totalmente garantida pela Galeria Ricardo Von Brusky e foram objetos de apreciação prévia, realizada pelo IPHAN Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional. O interessado declara estar ciente e de acordo com os termos constantes deste documento.

  • CONDIÇÕES DE PAGAMENTO

    PAGAMENTO O valor do bem arrematado e a comissão da Leiloeira deverão ser pagos no prazo de até 03 (três) dias úteis a contar do encerramento do leilão, através de TED Transferência Eletrônica Disponível; DOC Documento de Ordem de Crédito ou depósito bancário, conforme instruções da Galeria Ricardo Von Brusky.

  • FRETE E ENVIO

    RETIRADA

    A retirada dos lotes é de responsabilidade do comprador, incluindo transporte e embalagem, dentro do prazo vigente do leilão, com AGENDAMENTO PRÉVIO. 
    Caso o arrematante não realize o pagamento e a retiradas dos itens arrematados, será automaticamente bloqueado na plataforma do Leilões BR e submetido as medidas legais vigentes nas regras do leilão .

    A cotação do envio pelos correios deverá ser solicitada por e-mail.

    Peças frágeis serão enviadas somente por transportadoras especializadas.
    Podemos indicar transportadoras, mas a cotação e escolha da&